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07/08/09

ELOGIO AO LOKOMOTIV DO BARREIRO


Lokomotiv - Viriatovitch Chess

O Campeonato Nacional de Equipas da 1ª Divisão, que se realiza este ano em Vila Nova de Gaia, está a ser marcado pela brilhante prestação dos Ferroviários do Barreiro.
Esta equipa é como um comboio que circula imparável, a alta velocidade, com três carruagens de origem ucraniana e outras três de origem espanhola lideradas pelo FM Viktor Ulyanovskyy.

Este Maquinista é um grande jogador e treinador de xadrez que começou a sua carreira em Portugal no Grupo de Xadrez Alekhine.
Felizmente temos entre nós um sapiente mestre vindo do leste, pois muito podemos aprender com este homem do xadrez.

O seu filho Vladimir Ulyanovskyy, tem contribuído muito para o sucesso do Lokomotiv com uma série impressionante de vitórias. Parece que o saber se foi acumulando em Vladimir como uma nuvem silenciosa e escura que ao chegar a Gaia começa a parir relâmpagos.

Os actuais campeões nacionais, Diana de Évora, foram incapazes de travar a marcha desta maquina, perdendo por 4-2.
Neste encontro Vladimir venceu a WMF Catarina Leite e nos dois primeiros tabuleiros os espanhóis da equipa derrubaram os gigantes Kevin Spraggett e Miguel Llanes.
Domingo, quando a locomotiva chegar á estação do Barreiro, espero ver estes ferroviários de taça na mão.
Os homens merecem.








Andrey Ferents
Viktor Ulyanovskyy

Vladimir Ulyanovskyy




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05/08/09

TRÊS PASSOS PARA A GLÓRIA


CHESS - World Mind Game

Segundo Rowson o xadrez não é só um jogo, é uma zona da existência onde podemos lutar pela glória.
Aí podemos viver as nossas histórias de uma forma mais dramática e desempenhar um papel mais pleno e satisfatório do que na vida para além das 64 casas.


As posições que vou apresentar em seguida, são de jogos que eu fiz recentemente nos quais estive à beira da glória.
São exemplos das situações em que após o jogo descubro que tive oportunidades para brilhar e que as deixei escapar.
Em qualquer um dos casos criei, com algum esforço posições bem promissoras que sugerem um golpe decisivo.
No entanto, estes são três passos para o sucesso que ficaram por dar.
Quando vi no Fritz o que tinha perdido fiquei naturalmente revoltado por desperdiçar estas oportunidades tendo muitas vezes gritado e esmurrado paredes.
É claro que pensei “como seria bom ter visto esta maravilha no jogo”.
Mas, por outro lado, o facto de criar estas posições (ou de as ter criado com os adversários) motiva-me aprender mais.
Agora veja com os olhos da mente aquilo que eu só vi no ecrã do computador.


1º Passo : Jogam as brancas e esmagam!


Rudolfo Bento – José Palma Fernandes 18/05/2009



As brancas foram acumulando pequenas vantagens deixando as pretas numa situação muito delicada.
O último lance 29…Bc6 deu-me a oportunidade de lançar um ataque demolidor e imparável.



2º Passo : Jogam as pretas e ficam com vantagem decisiva





John Simões – Rudolfo Bento 25/05/2009


Nesta altura do jogo olhava para as minhas peças com orgulho.
Que torres bem colocadas, que bispos activos…
No entanto, a partir daqui o meu jogo trapalhão borrou toda esta pintura ou seja borrou este diagrama todo!


Rudolfo Bento – Rodolfo Martins 06/06/2009


Esta posição surgiu após um bom sacrifício de qualidade, que não só travou o ataque das pretas como permitiu chegar a um ponto em que as brancas lançando um espantoso contra-ataque estão completamente ganhas.
Para decifrar este enigma e saber o que está para além do óbvio é preciso calcular e fazer algum esforço.
Mas vale bem a pena. Se eu tivesse visto esta combinação durante o jogo, o meu ego ia crescer de tal maneira que teria dificuldades em sair pela porta da sala para me ir embora!



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21/01/09

BENJAMIN FRANKLIN E O XADREZ - POR RUI MARQUES


BENJAMIN FRANKLIN - VIRIATOVITCH CHESS

Benjamin Franklin, um dos pais fundadores dos Estados Unidos da América, era também um grande adepto do Xadrez.
Há pouco tempo um colega do Alekhine chamou-me à atenção para um documento que ele nos deixou (tal como a Declaração da Indepêndencia e a Constituição dos Estados Unidos – se bem que esses ele não assinou sózinho...), sobre o Xadrez e o comportamento que os cavalheiros deviam assumir perante o jogo.

O documento é um pouco extenso para publicar na integra, mas aqui vai uma tradução do primeiro parágrafo:

“O Jogo do Xadrez não é apenas um divertimento fútil;
várias qualidades muito importantes do espírito, úteis no decurso da vida humana, podem ser adquiridas e reforçadas por ele, de maneira a tornarem-se hábitos a serem usados em todas as ocasiões, pois a vida é uma forma de Xadrez, na qual muitas vezes temos pontos a ganhar, e adversários a enfrentar, e na qual acontecem uma grande variedade de eventos, positivos e negativos, que são, num certo grau, afectados pela prudência, ou pela falta dela. “

Pode ler todo o documento (em inglês) na seguinte página: Ben Franklin

Altamente aconselhado a todos os Xadrezistas!

06/01/09

O BISPO NEGRO - POR RUI MARQUES

Os Bispos têm como limitação apenas se poderem movimentar sobre casas de uma cor.
No entanto, sobre as casas dessa cor, se a estrutura de peões o permitir, podem-se tornar peças muito poderosas.
Nestas condições, o desaparecimento do Bispo adversário que se movimenta em casas da mesma cor, e que se pode opor ao nosso Bispo, pode se transformar numa grande vantagem.

Em várias variantes de abertura, como por exemplo na Defesa Siciliana, variante do Dragão, os bispos de casas pretas são preciosos, e às vezes até se sacrifica a qualidade só para eliminar o Bispo adversário.
Por isso muitos jogadores dogmáticos (como eu) ficam de cabelos em pé quando vêm um bispo importante trocado por um cavalo, sem uma boa (excelente) razão, só para ganhar um ou dois tempos...a desvantagem a longo prazo é considerável.

Convém salientar que a estrutura de peões e/ou a iniciativa jogam um papel decisivo, e que muitas vezes dá se o caso de um Bispo ser relativamente fraco, ou mesmo “mau” – um autêntico peão alto!

A partida que se segue mostra bem o valor que estes bispos podem ter:

(10) Marques,Rui (2150) - Garcia,Antonio (1979)
GXA Outono Lisboa (5.2), 31.10.2007
ECO; B21

1.e4 c5
2.Cf3 e6
3.d4 cxd4
4.c3!?
O Gambito Morra – as brancas dão um peão para abrir linhas e acelerar o desenvolvimento – na esperança de decidir o jogo com um ataque.
Se a partida não chegar ao final ninguém vai dar pela falta do peão...
4... dxc3!
As pretas aceitam, sabendo que a refutação de um gambito começa com a sua aceitação. Há muitas maneiras boas de recusar o peão, mas aceitá-lo é obviamente o lance corajoso!
5.Cxc3 a6
6.Bc4 Bb4?!
Este plano existe, e é arriscado - mas sem a6 - uma perda de tempo importante numa variante tão aguda
7.0-0 Bxc3?
Coerente - o plano é tirar os cavalos e fazer d5. Mas as pretas prescindem do seu defensor das casas negras - e nunca vão ter tempo para executar o dito plano. Um espectador observou que este era provavelmente o erro principal da partida - e se calhar até é!
8.bxc3 Dc7


9.Ba3!
Ilustrando imediatamente a falta do Bispo preto! O Bispo branco das casas pretas transforma-se num monstro!
9...Ce7
[e não 9...Dxc4?? 10.Dd6 Rd8 11.Ce5 com uma decisão imediata]
10.Bb3 Cbc6
O desenvolvimento está completo, é preciso fazer um plano



11.Cd4!?
As brancas abrem caminho para o peão "f".
[11. Bd6 para tentar explorar as casas pretas através de um bloqueio seria outra opção.]
11...Ca5
As pretas seguem uma estratégia coerente - trocar peças e eliminar o par de bispos branco. No entanto a peça chave das brancas vai ser o Bispo das casas negras - cada Cavalo preto que desaparece é menos uma peça para poder defender casas pretas! A perda de tempo torna as coisas ainda piores...
[11...0-0 12.f4! com iniciativa no flanco de rei; 11... Cxd4? 12. cxd4 apenas serviria para reforçar o centro e melhorar a estrutura de peões das brancas]
12.f4! Cxb3
13.axb3 Cc6?
Continuando com a estratégia errada - este é provavelmente o erro decisivo – a iniciativa das brancas torna-se irresistivel.
[13...d6 era a única - era obrigatório limitar o Bispo branco e tratar de fazer roque]
14.Dg4! g6
Triste necessidade - as casas pretas transformaram-se um enorme buraco, pronto para ser ocupado pelas peças brancas!




15.f5! Cxd4
[15...e5 16.fxg6 hxg6
(16...d5!? 17.gxf7+! (melhor que 17.g7!? Tg8) 17...Dxf7 18.Dh4 Dg7 19.Cxc6 e o rei preto, no centro, não vai sobreviver)
17.Txf7! exd4 (17...Rxf7 18.Tf1+ Rg7 19.Cf5+ Rh7 20.Dh4+ Rg8 21.Df6 com mate) 18.Th7!! Tg8 19.Th8!!
claro que não era preciso ver isto tudo para jogar um lance óbvio como f5, desimpedindo as casas pretas (até para o Bispo!) e abalroando a estrutura de peões negra! Mas quando se tem tempo convém sempre verificar as variantes...]
16.cxd4 d6
Finalmente se faz alguma coisa para tapar o terrível Bispo e dar jogo ao próprio - mas é demasiado tarde!
[16...e5 17.fxg6 hxg6 18.Dg5 d6 19.Df6 e ganha]



17.Dg3!
A Dama vem ajudar o Bispo no ataque às casas pretas!
17...Db6
[17...e5 18.dxe5 dxe5 19.Tac1 Db8 20.Txc8+! Dxc8 21.Dxe5+]
18.Bxd6!
Obstáculo eliminado!
18...Dxd4+
19.Rh1 Dg7
[19...Db6 20.De5 Tg8 21.fxg6 hxg6 22.Df6; 19...Dxe4 20.Dg5 São duas variantes que ilustram o tema da posição]



20.f6!
No fim de tudo é um peão que sela o destino das pretas!
20...Dh6
21.Ba3 Bd7
O Bispo preto entra finalmente em jogo - mas apenas para assistir impotente ao jogo branco nas casas pretas. A Dama e a Torre de rei foram postas fora de combate pelo peão f6.



22.Dd6!
O tema!
22...0-0-0
Claro que deixar o Rei no meio não oferecia esperanças. Mas depois deste lance segue-se um mate forçado.
[22...Rd8 23.Tad1; 22...Df8 23.Dc7 Tc8 24.Dxb7 Dh6 25.Tad1 Td8 26.Be7 são massacres possíveis]
23.Tfc1+
A outra torre fica na coluna "a" para entrar depois
23...Bc6
24.Txc6+!
Típico - a realização do dominio das casas pretas concretiza-se com um sacrificio nas casas brancas!
24...bxc6
25.Dxc6+ Rb8
26.Bd6+!
O Bispo cumpre a sua última missão!
26...Txd6
27.Dxd6+ Rc8
28.Dxa6+ Rc7
29.Dc4+ Rb7
30.Db5+ Rc7
31.Ta7+ Rd6
32.Td7#?
1-0
No fim de um jogo tão bom tinha que fazer asneira! [32.e5# era bem mais temático!]



Mate nas casas pretas!




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