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30/08/09

PENSE COMO UM GRANDE MESTRE

GM ALEXANDER KOTOV (1913-1981)
PENSE COMO UM GRANDE MESTRE


Esta obra literária enxadristica escrita pelo GM Kotov, influenciou a mim e com certeza a muitos enxadristas, ela descreve os métodos empregados pelos principais jogadores relatando o caminho como Botvinnik, Tal, Smyslov, Petrosian, Keres, Bronstein e muitos outros importantes grandes mestres estudaram a teoria e se preparavam para compreender os mistérios da estratégia e da táctica.

Kotov mostra que o progresso no xadrez é resultado de um imenso e duro trabalho em estudos de teoria, com esta obra ele incentiva ao estudioso que se pode chegar a GM com seu próprio esforço, mas com muito trabalho.

Mas a novidade e inovação nesta obra é que Kotov explica um método de se analisar uma posição através de uma sistemática denominada de ´arvore de variantes`,

A arvore de variantes é uma sistemática para analisar uma determinada posição e desta forma encontrar o melhor lance, e é considerada por muitos como impraticável incluso pelos GM, e é boa para ser usada em treinamentos para desenvolver a capacidade de se analisar, mas de extrema dificuldade e cansativa para ser usada na pratica.


Veja um exemplo do método de ´arvore de variantes`


Abaixo transcrevo frases com ensinamentos desta obra escrita por Kotov.
SOBRE ABERTURA

"Penso, que há grandes mestres com um sentido mais prático, que os leva a eleger alguns sistemas de aberturas para o seu repertório e os estudam profundamente, e quase ignoram os outros sistemas em dezenas de outras aberturas."

"Não podemos pretender conhecer tudo de cada matéria, devido à grande quantidade de informação que existe hoje em dia. Temos que nos limitar a conhecer bem um tema e saber um pouco sobre os outros."

"A forma mais correta é limitar a nossa opção de estudo a uma seleção de aberturas e saber tudo o que está relacionado às linhas favorecidas por cada um. Esta é a politica de jogadores como Botvinnik, Petrosian, Tal, Spassky ou Korchnoi."

"O meu jogo de aberturas, consiste em movimentos concretos e variantes agudas, em que as inovações e as refutações se podem encontrar facilmente nas análises fora do tabuleiro. As novidades nestas linhas agudas, podem levar facilmente a uma imediata vitória."

"Decidi evitar as variantes que tinham sido analisadas profundamente pelos teóricos até 15 a 20 jogadas.Como norma, os meus colegas grandes mestres seguem a mesma política, ainda que alguns gostem de brincar com o fogo e entrem corajosamente nestas linhas.""Muitos grandes mestres, especialistas em aberturas, tais como Boleslavsky, Bronstein, Geller, Taimanov, Vasiukov ou Furman, são especialistas em linhas forçadas na abertura."

"O principal problema ao estudar aberturas, é compreender a essência posicional de certas posições chave, como lhes chama Bronstein.""Uma vez compreendida a essência das posições chave e previstas algumas variantes, estaremos suficientemente preparados para nos enfrentarmos contra mestres de xadrez."


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20/05/09

SOLUÇÃO À VISTA ? - CADERNOS DE XADREZ - FINAIS DE PEÕES


Cadernos de Xadrez - Finais de Peões

No primeiro "Caderno de Xadrez", da autiria do MI Sérgio Rocha, treinador da FIDE,
está um diagrama para o qual não encontro a solução.
Conto com a ajuda dos leitores para puder chegar a uma conclusão.


Diagrama 75 (Jogam pretas), Página 31

A solução publicada foi:

1...,g5
2.Rd4, h5
3.Rxd5, h4
4.Re5,g4
5.fxg4, fxg4 - +

Ok, agora pergunto:

- Se, as brancas jogarem 3.f4 !, em vez de, 3.Rxd5 ?, como ganham as negras ?
Aliás, o que podem fazer as negras para não perder ?

Deixem comentários !


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04/11/08

XADREZ - TÉCNICAS E ESTRATÉGIAS - CRITICA AO LIVRO - POR RUI MARQUES


Xadrez – Técnicas e Estratégias, por Sérgio Rocha e António Fróis

Quando o MI Fróis me desafiou a criticar o livro neste blogue, a minha primeira reacção foi de pânico! Afinal eu só queria mostrar aqui alguns livros que senti que me ajudaram, ou que eu compreendo bem, dentro do meu nivel actual, das partidas que faço, e dos circulos de Xadrez em que me movimento – jogadores adultos e algo experimentados.


No entanto, rápidamente cheguei à conclusão que seria quase criminoso estar para aqui a falar de livros de autores estrangeiros, em lingua estrangeira, e deixar passar um dos poucos livros que surge no mercado nacional, mesmo correndo o risco de “por a pata na poça”.

Devo dizer que se alguma vez fui treinador, foi de mim próprio, e a minha experiência de aprender os fundamentos do Xadrez é algo distante, mas mesmo assim está presente, e para já devo dizer – se eu tivesse tido acesso a um livro assim quando tinha 12/13 anos, tinha de certeza chegado muito mais longe no mundo do Xadrez, e no mínimo, tinha coisas bem mais interessantes para escrever neste blogue...

Quanto aos autores, tratam-se de dois MIs de reconhecido mérito e experiência na formação xadrezistica, nomeadamente nas camadas mais jovens, tendo Sérgio Rocha já alguma experiência em publicar livros. Sabendo da história das dificuldades na publicação do livro, é impossível conter uma crítica ao mundo das editoras portuguesas, que tão pouco interesse mostram pelo Xadrez. Quer em termos de autores portugueses – que, pelo que têm mostrado até agora, não ficam atrás dos estrangeiros, quer a nível de clássicos mundialmente reconhecidos - dos quais, para além do Kasparov não se vê nada nas livrarias portuguesas.

É pois de elogiar a coragem dos autores, e de esperar que esta experiência seja um grande sucesso, e que leve as editoras a repensar a sua politica – e que no futuro, possamos ter, por exemplo, livros de partidas dos jogadores portugueses mais criativos, como o Rui Dâmaso ou o António Fernandes, só para dar dois exemplos dos meus preferidos. É no minimo triste que os portugueses interessados em Xadrez tenham que andar a ler livros em Espanhol e em Inglês...

Bom, mas eu sou suposto dizer o que acho do livro e aqui vai. Trata-se de um livro de fundamentos, destinado principalmente a jovens, que, tendo dominado as regras do jogo e adquirido alguns conceitos básicos (alguns mates mais fáceis, valor do material, centro, desenvolvimento, etc) querem prosseguir e ter uma visão mais alargada do Xadrez e de como progredir.

O livro cobre o assunto de forma horizontal, ou seja aborda os tópicos principais de forma algo resumida, mas entrando em alguma profundidade nos exemplos. Claro que para um verdadeiro livro de fundamentos seriam necessárias, pelo menos, 300 páginas e não 100 – mas claro que publicar tal obra seria completamente impossível dadas as condições acima mencionadas...

Para ficar com uma panorâmica, posso dizer que o livro aborda os mates ao rei sózinho (incluindo uma boa secção sobre mate de Bispo e Cavalo) após o que dedica uma boa porção a finais de peões e de Torre e peão contra Torre.

Também aborda Bispo e peão contra Bispo e Dama contra peão. Segue-se a secção sobre táctica, incluindo alguns temas como ataque duplo, descoberto, pregagem e ataque ao rei. A seguir são ilustrados dois temas estratégicos – ataque de minorias e cavalo contra bispo mau. O capítulo das aberturas começa com uma boa introdução aos conceitos básicos, segue com algumas ciladas de abertura e culmina com uma discussão de algumas variantes bastante interessantes da abertura italiana.

O livro tem bastantes exercicios (e para quem quiser mais, Sérgio Rocha está a lançar os seus Cadernos de Xadrez), o que é essencial, porque no Xadrez não se vai lá sem puxar pela cabeça.
Alguns exercicios têm um grau de dificuldade bastante exigente para quem tenha aprendido a jogar à pouco tempo – mas o Xadrez é um jogo dificil (senão não teria interesse) e quem que pensar que é fácil limita-se a enganar-se a si próprio.

Aliás exercícios mais difíceis e exemplos tratados em profundidade têm a vantagem de que jogadores algo mais experimentados possam ter interesse no livro, que, nem que seja pelo preço, nunca será uma má compra!

Resumindo, uma iniciativa de saudar e apoiar.
Um livro importante - xadrezistas portugueses apoiem o livro, e por favor, não recorram ao velho hábito português de distribuir fotocópias – que diga-se, é muito mal visto lá fora!

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18/10/08

STREETFIGHTING CHESS, CRITICA AO LIVRO - POR RUI MARQUES


Saiu não há muito tempo o livro Street Fighting Chess, pelo escocês Andrew Burnett.
É sempre de desconfiar quando um livro de Xadrez não é escrito por um mestre – afinal não são os mestres os detentores da verdade xadrezistica?
Talvez sim, mas para um jogador mediano, que não tem grandes hipóteses de chegar ao top, talvez uma aproximação mais pragmática
(e menos “pura”)
tenha melhores resultados, quer a nível de ganhar torneios, subir uns pontitos no elo, ou simplesmente fazer boas partidas.
E o autor não sendo mestre, é sem dúvida um veterano dos torneios abertos e já derrotou um bom número de GMs, vindo com o livro partilhar a sua experiência xadrezistica.
O livro advoga uma aproximação de ataque ao xadrez
(o titulo do primeiro capítulo – The king must die – é revelador),
baseado na luta pela iniciativa desde o primeiro lance.
O livro cobre os vários aspectos que qualquer jogador vai inevitavelmente encontrar ao longo da sua carreira – desde capítulos sobre a abertura, meio, e final, como questões mais práticas como fugir à preparação dos adversários, jogar posições dificeis, lidar com as derrotas, enfrentar jogadores mais fortes e a questão sempre presente no xadrez do jogo psicológico
(mind games).
Os pontos de vista do autor parecem-me excelentes, e quando muito levantarão questões para fazer o leitor pensar pela sua própria cabeça, que é afinal o que é preciso para jogar bem Xadrez.
São apresentados três jogadores modelo para o Streetfighter – Mikhail Tal
(dispensa comentários),
Bent Larsen
(não tão famoso, mas igualmente importante)
e o escocês Paul Motwani
(afinal sempre convém ter um héroi mais próximo da terra).
O livro conclui com alguns exercicios em que o leitor deve encontrar a melhor maneira de lutar pela iniciativa ou aproveitá-la.

Acho que o livro é excelente – a questão é que apesar de pôr sempre as coisas pelo ponto de vista do ataque, o autor percorre uma série de temas que são essenciais para jogar bem em geral, e que muitos jogadores medianos ou ignoram, ou sistemáticamente não praticam – coisas como tentar ver um lance mais à frente, a importância das tácticas para fins que não o mate directo ou o ganho de material, a noção de que muitas vezes o ataque não acaba com a troca das damas etc,etc.
Talvez, a única lacuna seja a parte da defesa, mas afinal trata-se de um livro sobre ataque!
No entanto, mesmo que o leitor não seja
(nem pretenda ser)
um jogador de ataque, mas sim um posicional e/ou materialista, e apelide "os streetfighters" com a palavra mais portuguesa de “barreteiros”, o livro vale a pena – dá para aprender sobre xadrez e ver as armadlihas que os terríveis "streetfighters"(barreteiros!) lhe preparam para o tirar dos seus caminhos tranquilos e posicionais...

Para concluir quero mostrar dois exemplos da minha prática/observação que, a meu ver, validam de algum modo certas opiniões expressas no livro.
Se, o leitor achar estes exemplos interessantes, vai encontrar muito melhor no livro...

No capítulo sobre finais, que o autor diz que prefiria não ter que escrever
(ou seja acharia melhor ter dado mate antes de chegar ao final...)
é defendida a ideia de que o rei pode sempre levar mate.

Ora vejam o seguinte exemplo:

Igor Kovtun – Márcio Catarino
Cela – 2008

Na posição do diagrama, bom era 1. ... Bc2! E se 2. Rg4?? (unica para defender o peão) Bd1#! Mate com um bispo sózinho!

A partida que se segue é contra o Carlos Oliveira, definitivamente um streetfighter português.
Esta partida veio-me à cabeça quando li o livro, por ilustrar tantos pontos nele presentes, especialmente a luta pela iniciativa.
No entanto, ao contrário do livro, aqui a defesa acaba por triunfar e o jogo acaba num empate...

Oliveira,Carlos (2125) - Marques,Rui (2123) [D44]
BMRR Grandella Lisboa (3), 19.07.2007
1.d4 d5
2.c4 c6
3.Cf3 Cf6
4.Cc3 e6
5.Bg5 h6
6.Bh4 dxc4
7.e4 g5
8.e5!?
Seguindo o conselho, vital para os streetfighters, de sair da teoria relativamente cedo
8...Cd5
9.Bg3 b5
10.h4 g4
11.Cd2 h5
12.Cce4 Bh6!?
As pretas também teêm algumas ideias...
13.Cd6+ Re7
14.a4?!
permitindo o plano das pretas [14.Cxc8+ e as brancas devem ter alguma vantagem, dados os buracos nas casas pretas e a possibilidade Ce4-d6 das brancas]
14...Da5!
15.axb5 Bxd2+
Era esta a ideia das pretas e agora?
16.Re2!
afinal as brancas também tinham ideias! A dama e o Bispo estão atacados!



16...Cc3+!!
mas havia uma contra-contra ideia!
17.bxc3
[17 Rd2 Cb1+!! (e não Cxd1+?? Txa5+-) Re3 Dxa1]
17... Dxc3
18.Dxd2 Dxa1
19.Db4
Claro que Dg5+ levava a empate por xeque perpétuo - mas os streetfighters querem mesmo dar mate e não perpétuo! A ameaça de mate em dois (Cf5+) não é propriamente subtil, mas ameaçar mate tem sempre um efeito psicológico no adversário...


19...Rf8!?
Mais uma vez as pretas também têm ideias próprias... Bd7 talvez fosse melhor, com a ideia de responder a Cf5+ com Rd8 e tentar aproveitar a vantagem material. Mas os streetfighters não têm demasiado respeito pelo material... A iniciativa e o ataque são mais importantes!
20.Cxc8+ Rg7
21.Cd6 cxb5
22.Dxb5 Cc6!
Continuando com a ideia - desembaraçar-se das peças da ala de dama para poder ir com as torres atrás do rei branco!
23.Dxc6 Tab8
24.Dxc4
Por seu lado as brancas seguem o conselho, muitas vezes bom, de tomar o máximo de material, para o poder devolver na altura certa
24...Tb2+
25.Re3 Thb8?
um "blunder"... [25...De1+! - perseguir imediatamente o rei branco mantém o jogo dentro dos limites do empate]

26.Rf4?
Mas as brancas perdem a oportunidade! [26.Cf5+!! exf5? 27.Dxf7+!! revelando que mesmo para os streetfighters a defesa é importante! as brancas devolvem material para entrar num final ganhador! 27...Rxf7 28.Bc4+ Re7 29.Txa1+-]
26...T2b4
O jogo está ao rubro. A luta torna-se completamente irracional e eu abstenho-me de grandes análises nesta fase e convido o leitor a tentar descobrir a verdade (quem sabe talvez com ajuda do seu fiel amigo Rybka). O facto é que com o relógio a contar a posição é muito dificil... para os dois lados.
27.Dc2?
[27.Bd3! Dxh1 28.Dc7! - devolver material para contra-atacar...]
27...Txd4+?
[27...Dxd4+! ganha, mas é preciso ver como]
28.Ce4 Tb1?!
As pretas, depois o rei branco ter conseguido fugir para f4, sentem-se frustradas e atiram-se ao material... [28...Txe4+ é correcto e empata, mas mais uma vez é preciso calcular bem]
29.f3 Txf1
30.Txf1 Dxf1
Finalmente o jogo torna-se mais ou menos racional. O rei branco está relativamente seguro em f4 e as brancas têm provavelmente uma ligeira vantagem. Mas o jogo foi dificil e o tempo escasseia...


31.Bf2??
Finalmente o meu adversário comete um erro crasso, que lhe devia ter custado a partida.
31...Dxg2!
32.Re3 Tb4??
Mas eu também falho, por não ver uma contra-chance! [32...Td5-+ e as brancas estão feitas num oito]
33.Cg5!
E agora, são as pretas que estão em maus lençois!

33...Tb7!
Única para não perder de imediato
34.Dh7+ Rf8
35.Cxe6+! Re7!
36.Cd4

36...Tb3+!
Mais uma vez as pretas encontram o único lance para não perder! [36...Tb2? 37.Cf5+ Re6 38.Dh6+! com ataque ganhador - a combinação da dama com o cavalo é demasiado forte.]
37.Cxb3 Dxf3+
38.Rd4 Dxf2+
39.Rc4!? Df4+?
Outro erro embaraçoso. [39...g3! e o peão g3 é suficientemente perigoso para empatar o jogo - as peças brancas não têm cordenação suficiente para fazer estragos a tempo]

40.Cd4!
Defendendo o peão e5 com o duplo em c6! As pretas estão outra vez em apuros!
40...Dc1+
41.Rd5 Dh1+
42.De4
Única para tentar ganhar. Senão as pretas dão sempre xeque e o rei não se consegue esconder. [42.Rc5 Dc1+]
42...Dxe4+
Não é que o final seja apelativo, mas esta troca é obviamente obrigatória.
43.Rxe4 Rd7



44.Cf5?
Permitindo finalmente às pretas um jogo fácil. [O lance de espera 44.Re3!? tornava as coisas bem mais dificeis - a ideia é que 44... a5?? perde o peão “a” para 45 Cb3! (45 ... a4 46 Cc5+) e as brancas ganham. A tarefa das pretas seria bem mais dificil neste caso.]
44...a5!
Agora o final está empatado - no entanto, não esquecer - os streetfighters jogam até ao fim! Neste caso não houve mais aventuras, mas nunca se sabe...
45.Cg3 a4
46.Rd4 a3
47.Rc3 Re6
48.Cxh5 Rxe5
49.Cg3 f5
50.h5 Rf6
51.h6 f4
52.h7 Rg7
53.Ch5+ Rxh7
54.Cxf4 g3
1/2-1/2




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